Pesquisas comprovam que ouvir certas músicas de Amadeus Mozart activa os neurónios e melhora a inteligência


O sinal de alerta foi dado pela lista dos mais vendidos. Um CD com músicas de Mozart chegou recentemente ao topo dos clássicos tanto na revista Billboard quanto no site comercial da Amazon (loja virtual da Internet). Como não havia nenhum apelo aparente para o modismo – trilha sonora de filme, por exemplo -, investigou-se a fundo o fenómeno. E, segundo a explicação mais aceite, a resposta estaria no estranho, mas agradável efeito causado por certas músicas do compositor austríaco no cérebro dos ouvintes. O ritmo mozartiano, segundo alguns investigadores, interfere positivamente na forma como os neurónios comunicam entre si, embora ninguém saiba ainda exatamente a razão de tal fenómeno. Mesmo sendo polémica, a teoria mais considerada no meio científico argumenta que as ondas cerebrais são em muito semelhantes com a música barroca. Daí, o efeito de “turbinamento” do poder cerebral, comprovado por testes de Q.I. feitos logo após o individuo escutar Mozart.

A história desse “efeito Mozart” teria começado há seis anos, segundo revelou o último número da revista britânica NewScientist. Foi quando se descobriu que pessoas que ouviam certas composições de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) com frequência alcançavam índices mais elevados nos testes tradicionais de inteligência. Porém, em meados de 2008, investigadores mais cépticos repetiram a experiência e não chegaram ao mesmo resultado. Tal desencontro fomentou outras experiências, desta vez com ratos de laboratório. E o facto é que se provou mais uma vez que a música do génio austríaco melhora, sim, o funcionamento cerebral – ratos colocados num labirinto alcançaram a saída com mais facilidade quando expostos à música de Mozart. Outra experiência revelou que pessoas que sofrem do mal de Alzheimer trabalham melhor a ouvir composições mozartianas. Até mesmo os ataques epilépticos ficam bastante reduzidos.

Polémica – O primeiro indício do que viria a ser chamado “efeito Mozart” surgiu há dez anos, quando o neuro-biólogo americano Gordon Shaw simulou a atividade cerebral num computador. Em vez de imprimir um gráfico dessa simulação, ele decidiu transformá-la em sons. E, para sua surpresa, o ritmo do som cerebral mostrou-se extremamente semelhante com a música barroca. “Não é uma música tão bonita quanto a de Mozart, mas o seu estilo é bem distinto e fácil de reconhecer”, disse ele à revista britânica. Foi aí que pensou em testar qual seria o efeito de Mozart no cérebro do ouvinte. Noutras palavras, será que esse tipo de composição musical de alguma forma amplia a atividade das células nervosas cerebrais? Os resultados foram muito positivos nos testes de Q.I. A partir de então, experiências distintas feitas por colegas de outras universidades chegaram a resultados diferentes. Algumas não produziram nenhum “efeito Mozart”, enquanto outras confirmaram o trabalho de Shaw. Nascia assim a polêmica.

Para efeito de consistência científica, quase todas essas experiências foram feitas usando-se uma única peça musical de Mozart, a Sonata para dois pianos em ré maior (K 448). Para os críticos dessa teoria, as experiências são ainda muito vagas. “Não há uma razão clara para o uso dessa peça musical; mesmo assim, quando outro laboratório não consegue os mesmos resultados, alegam que não foi usada a música correta”, acusa Kenneth Steele, psicólogo da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA. Outros cientistas chegaram a levantar a hipótese de que o efeito benéfico dessa música seria emocional. Mas a experiência com os ratos – que não têm reações emocionais como os humanos – acabou por provar que a base para o “efeito Mozart” é neurológica. O tira-teimas veio mais recentemente, quando Shaw e colegas usaram aparelhos de ressonância magnética (que fazem um tipo de radiografia do organismo) para mapear as áreas do cérebro que são ativadas pela música de Mozart.

Percebeu-se então que, além do córtex auditivo, onde o cérebro processa os sons, a música também activa partes associadas com a emoção. “Mas, com Mozart, o córtex inteiro acende-se”, diz Mark Bodner, que auxiliou Shaw. E apenas Mozart activa áreas do cérebro envolvidas com a coordenação motora, visão e outros processos mais sofisticados do pensamento. Infelizmente, tal aparelho não explica a razão desse fenômeno. De todo modo, esse trabalho científico provou indubitavelmente que o ensino de música aumenta muito a capacidade mental das crianças. Se elas forem apresentadas a Mozart mais cedo, quando ainda estão a desenvolver sua rede neural, o resultado positivo pode durar para toda a vida, alegam os especialistas. O que ajuda a explicar a posição de segundo colocado entre os CDs clássicos mais vendidos nos últimos meses – O efeito Mozart: música para crianças vol. 1 – sintonize sua mente.

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