[Parte 1] Economia está mal mas vai piorar


O número de desempregados que passou à reforma por não ter emprego cresceu mais de dez vezes desde 2009.

O desemprego em Portugal atingiu no primeiro trimestre um nível histórico. De acordo com as séries do Instituto Nacional de Estatística que começam em 1983, nunca tinha havido uma taxa de dois dígitos antes do quarto trimestre do ano passado quando chegou a 10,1%. E nos primeiros três meses deste ano voltou a subir para 10,6%.

Um número recorde, principalmente quando se transforma em número de pessoas sem emprego: 592,2 mil. E o cenário é ainda mais preocupante quando se analisam com detalhe os dados.

O primeiro sinal de alerta é o facto dos inactivos disponíveis (pessoas que estão disponíveis para trabalhar mas não procuraram emprego nas três semanas antes do inquérito do INE) e os inactivos desencorajados (pessoas disponíveis para trabalhar mas que desistiriam de procurar) somarem mais de 100 mil pessoas. Estes elevam a taxa de desemprego real para 13,6%.

Este nível de desemprego histórico pode não ficar por aqui, já que o crescimento previsto para este ano é fraco (0,4% segundo o Banco de Portugal) e com o aperto de cinto imposto pelo Governo a economia pode mesmo voltar a entrar em recessão.

Outro sinal de aviso é o desemprego de longa duração, ou seja, as pessoas que estão sem emprego há mais de 12 meses, que subiu para 5,4% no primeiro trimestre do ano. São já cerca de metade do total de desempregados e uma grande fatia não tem trabalho há mais de dois anos.

Para muitos trabalhadores mais velhos que perderam o emprego a saída muitas vezes é a reforma. Na realidade, como o Expresso referia na última edição citando números do economista Pedro Portugal, 40% dos desempregados não voltam a trabalhar. E neste aspecto, os mais velhos, com menos formação e ligados a actividades com maior destruição de emprego, são quem mais sofre.

Entre Janeiro de 2009 e Março deste ano, de acordo com a última informação disponível da Segurança Social, o número dos que passaram à reforma por motivo de desemprego aumentou mais de dez vezes. No início do ano passado eram 754, agora são 8530.

Uma das consequências imediatas do desemprego é a incapacidade de pagar créditos, o que explica grande parte do crédito malparado dos bancos que voltou a subir em Abril. J.S.

Download do PDF com o total da divida publica

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